sexta-feira, 12 de outubro de 2012

RUFINO CORDEIRO E A MEMÓRIA BALEEIRA NA GRACIOSA

"Fui criado no meio do mar", afirma Rufino Cordeiro, 81 anos, ex-baleeiro, ex-carteiro, ex-formador de pesca, ex-regente de bandas filarmónicas, neto e filho de baleeiros. O avô, Mestre Vital, foi um dos fundadores da Armação Baleeira da Graciosa e o primeiro a arpoar uma baleia na ilha. "Foi dia de festa e a filarmónica abrilhantou o acontecimento. Houve comida e bebida em abundância", conta Rufino Cordeiro no livro "A Caça ao Cachalote na Graciosa", "por isso é natural que tenham surgido animados discursos". O último coube ao avô de Rufino que terminou com um "Viva à baleia morta!" Mais tarde, o pai de Rufino, Mestre João Baptista, além de cabo do mar foi oficial da baleia. Rufino acabou por ir também parar à baleação. "Fui muitas vezes em botes, com o meu pai. Era rapaz novo e tapava buracos. Sempre que era preciso ía". Depois, Rufino Cordeiro chegou a ser arrais da lancha José Alexandre. Na época áurea da caça à baleia, a Graciosa recebeu muitos baleeiros de outras ilhas. "Vinham de São Miguel, do Pico, de São Jorge. A Graciosa era uma ilha que atraía os melhores baleeiros. Faziam contratos de seis meses e vinham para aqui balear seis meses. Passaram por cá muitos e bons trancadores". Numa ilha pobre e com mais do dobro dos habitantes actuais, a caça à baleia era um extra para muita gente da ilha. " Íam caiadores, sapateiros, carteiros, vivia-se com muitas dificuldades", conta. A garagem de casa de Rufino em Santa Cruz da Graciosa está repleta de recordações da vida do mar levada não só por si como pelo pai e pelo avô. Ao fundo, numa estante, estão diversas miniaturas. "Fiz muitas miniaturas e nunca pensei em vender. Depois fez-se uma exposição e acabei por vender várias. Tenho miniaturas de botes baleeiros espalhadas pelo Canadá, Estados Unidos, por todo o lado". Nas paredes está, entre redes e artes de pesca várias, o arpão com que o pai arpoava a baleia. "Quando terminou a caça à baleia, os botes ficaram abandonados. Eu comprei um, a "Nossa Senhora de Fátima", porque tinha sido o último bote do meu pai. Esse bote foi adaptado a barco de pesca. Este arpão era do meu pai também". Rufino foi sempre, apesar da profissão de carteiro, um "doente pelo mar": "Sempre. Em miúdo nas Velas, São Jorge, fiz uma barca com tábuas da cama e pesquei lá muito". Mais tarde, na Graciosa, além de ir nos botes baleeiros, acabou por pescar muito. Algumas pescarias estão registadas igualmente na parede da garagem. "Pesquei peixes enormes, chernes, abróteas, sempre sózinho". baleeiro 4 baleeiro 2 Baleeiro 1 26-11

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