quarta-feira, 3 de outubro de 2012

O ÚLTIMO DIA DE VINDIMAS DE MAXIMINO DA VEIGA

Estamos em fim de Setembro e ali perto, em Vitória, os últimos agricultores que ainda produzem vinho para consumo próprio-ainda se dão a esse trabalho, acossados pelas intempéries e pelos coelhos e ratos que vêm dos currais de vinha abandonados- terminam as duas vindimas. Nunca passou pela minha cabeça ajudar (ajudar é aqui um termo muito exagerado) a vindimar na Graciosa. Mas foi um prazer seguir por momentos o último dia de vindima de Maximino Silva da Veiga, um resistente de 84 anos que toda a vida ali trabalhou. "Este ano o vento fez mal às uvas, houve muita doença e ainda tive de andar aí sempre atento aos ratos, aos coelhos e aos melros", conta Maximino, que estudou até à antiga quarta classe e trabalha desde os 12 anos. "O meu pai foi sempre pobre e morreu aos 49 anos. Nunca tive outra alternativa que não fosse trabalhar o milho, o trigo, a vinha. Está a ver aquela tapada de vinha ali ao fundo? Chegue-se para aqui? Ali, aquele curral. Comprei-a em 1988. Enquanto puder, trabalho-a. Não gosto de ver televisão". O rumo que o campo tomou na Ilha Graciosa não foi diferente do das outras ilhas. A agricultura (milho, trigo, cevada, vinho) deu lugar às pastagens para a pecuária. "Isto no tempo em que a ilha tinha 12 mil habitantes (hoje tem cerca de quatro mil) era tudo semeado até lá acima à serra. Agora só querem saber das vacas, não querem saber disto". vindimas 5 vindimas 3 A vindima ali é assunto de família. Ajuda a filha, ajuda o genro, ajudam todos a colher as vinhas e a acartar os 18 cestos (dantes eram 50) para o lagar, bem à moda antiga, ainda com as pipas de vinho em madeira fabricadas no continente. "Aqui também temos tanoeiros ou ainda temos mas estes são melhores". Um dos familiares salta para dentro da cuba em cimento e pisa a uva, depois atira-se à prensa mecânica. "Para ver as antigas, em madeira, tem de ir ao nosso museu. Já lá foi? Lá estão as prensas de antigamente". vindimas 1 vindimas 4 vindimas 6 vindimas ultima A vindima termina em casa do filho de Maximino, que me convida a comer postas divinais de moreia frita e bicuda cozinhadas pela esposa. O ambiente é de fraternidade familiar. Devia ser sempre assim.

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