quinta-feira, 19 de julho de 2012

COM O CONSTRUTOR DE VIOLAS E VIOLÕES NUNO NUNES

Em Angra do Heroísmo, muito perto das instalações do jornal "Diário Insular", funciona a pequena oficina do construtor de violas e violões Nuno Nunes, 51 anos. Quando Nuno, carpinteiro e tocador de viola terceirense começou a construir as suas próprias violas na pequena oficina do número 15 da Rua Ciprião de Figueiredo, os grandes construtores eram os Lobão, fixos na Rua do Rêgo. “Era uma família de construtores muito conhecida. Com o falecimento do último construtor, fiquei praticamente só eu”. Nuno começou sozinho. “O meu primeiro violão foi de brincadeira, tinha nove anos e foi feito com platex e cordas da pesca”. O paide Nuno tocava na Fanfarra Gago Coutinho e Sacadura Cabral, em Angra mas elepreferiu sempre o violão e a viola terceirense à banda. “Em 93 construí outroviolão e fui estudar para o conservatório. Aprendi a tocar as modastradicionais”. Em 93, o professor, Eduardo Correia deixou-o tirarum molde da viola dele. “Depois houve um colega que me pediu para lhe fazer umae fui fazendo e vendo o que não estava bem. Fui aprendendo sobre as qualidadesda madeira. Actualmente, uso uma qualidade de pinho que é o “spruc” e uso tambémo cedro do Canadá. Dantes usava-se a casquinha que é parecida com o cedro doCanadá”. P1010537 2 O molde actual que Nuno utiliza foi tirado de uma viola existente no museu feitas por João Sá Silva, um continental que seestabeleceu na Terceira. “As violas mais bem feitas e com melhor sonoridadeeram as dele”. Nuno Nunes já construíu violas para o Canadá, paraos Estados Unidos da América e até para a Noruega. “Apareceu aqui um norueguêsque veio visitar a ilha e acabou a querer uma viola”. A viola terceirense, que Nuno constrói juntamente com violões, cavaquinhos e bandolins, tem 15 cordas e a boca no tampo. “Chegou a haver um senhor que tocava com 18 cordas. A existência das 15 cordas tem a ver com a sonoridade. Os tocadores queriam tocar partido da sonoridade. Por outro lado, a nossa viola aqui da Terceira é dedilhada, não é rasgada e você pode comprovar que ela toca tudo desde fado a modas de folclore”. Nuno dá o exemplo de um senhor que emigrou para a Argentina e levou a sua viola terceirense. Quando regressou, vinha a tocar nela pasodobles e o que aprendera na América do Sul. Actualmente, Nuno Nunes, com excepção de um colega, é praticamente o único construtor de violas da Ilha Terceira. “Em finais dos anos 90, fui à Direcção Regional de Cultura ver se havia algum apoiopara eu poder aprender mais. Disseram que iam tentar saber e a que acontrapartida seria eu depois ensinar. Eu disse que sim. Estou à espera de resposta até hoje”. 3 4

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