quarta-feira, 27 de fevereiro de 2013

TEATRO NAS FLORES

Flores 2 Desde 1980, com um intervalo de dez anos, o grupo de teatro A Jangada anima a Ilha das Flores com comédias, peças infantis e revista à portuguesa. Os adereços e figurino são feitos pelos próprios elementos do grupo. A viagem do encenador Joaquim Salvador é paga pelos comerciantes da ilha, que fica alojado em casa de elementos do a Jangada. “É um grupo que tem tudo para não existir mas existe”, explica António Lopes, da direcção. Domingo à tarde no auditório da Escola de Santa Cruz das Flores. Os actores do Teatro Jangada ensaiam mais uma vez a peça infantil “O Sonho do Burro Malaquias” destinada a ser exibida na época do Natal às crianças da ilha. A companhia, a única nas Flores, nasceu a 5 de Dezembro de 1980 como Grupo Cénico de Amadores a Jangada e mantem-se hoje como Jangada Grupo de Teatro lutando num cenário de insularidade e isolamento. “Esta companhia tem tudo para não existir mas existe”, explica António Lopes, presidente da direcção. “Temos um elenco residente de cinco a sete pessoas e depois vamos incluindo muitas pessoas que estão cá um ano e vão embora”. Neste momento, o grupo, fundado por florentinos, conta apenas no elenco com um natural da ilha. Todos os outros elementos são continentais. teatro Flores 1 O grupo de teatro, criado em 1980, esteve parado cerca de dez anos entre a década de 80 e 90. Até que um dia, uma directora regional de cultura convidou os elementos antigos a realizarem um sarau cultural. A noite , nas instalações da Sociedade Filarmónica Doutor Armas da Silveira, foi um sucesso. A partir daí, a actividade teatral recomeçou. “Nessa altura, havia a ideia de que uma peça por noite não chegava, então ensaiávamos duas peças. Actuávamos ao fim de semana e as salas esgotavam”, conta António Lopes. Em 1999, fizemos duas peças no Verão e estávamos a ensaiar uma peça para o Inverno quando se deu o desastre de aviação em São Jorge, que vitimou membros do grupo. Em 2000, a professora Cândida Almeida sugeriu ao grupo trazer à ilha o encenador Joaquim Salvador. “Pedimos patrocínios ao comércio e pagámos a passagem ao encenador. Ele viu o que estávamos a fazer, deu-nos conselhos, sugeriu alterações e desde então trabalhamos com ele”. Flores 3 Não é, no entanto, muito fácil trazer o encenador do continente. “Vem cá 15 dias, fica alojado em casa dos membros do grupo e come em casa de cada um. O resto é apoiado pelos comerciantes e pelo subsídio que recebemos da Direcção Regional da Cultura”. O grupo conta também com um elemento, o professor Fernando Oliveira, que há 12 anos escreve textos para uma revista à portuguesa levada há cena anualmente. “Neste momento está destacado no continente”. Ao todo, ao longo do ano, o Jangada faz uma comédia, uma revista à portuguesa, uma peça infantil e uma outra peça mais dramática. “Críamos ainda os prémios “As Criptomérdias de Ouro” que distinguem com humor personalidades da ilha. A princípio foi complicado mas agora é o delírio. Temos o cuidado de nunca chamar as pessoas pelo nome próprio e as pessoas adoram”. O mais difícil é mesmo saír da ilha com as peças, sobretudo quando envolvem muitos elementos. “Fomos convidados para ir a Samora Correia com a peça “Elas e a Fama”, uma peça que conta a história de quatro mulheres que querem ser vedetas. Também concorremos para ir a São Jorge com esta peça infantil mas somos muitas pessoas…vamos ver…” O grupo de teatro que sobrevive na Ilha mais ocidental dos Açores e da Europa em condições adversas- os adereços e as roupas são feitos pelos elementos do próprio Jangada- está agora empenhado na peça infantil “O Sonho do Burro Malaquias”. Os cenários foram criados pelos alunos de Educação Visual da Escola de Santa Cruz das Flores. As crianças, essas, já se habituaram a contar com a peça pelo Natal. “É uma iniciativa que já tem quatro anos e que eles esperam com ansiedade”. Teatro Flores mais

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