domingo, 25 de março de 2012

OS ÚLTIMOS PESCADORES DOS MOSTEIROS

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Tomé Luís Ferreira, 69 anos

A comunidade piscatória dos Mosteiros, na ponta ocidental da Ilha de São Miguel nunca rivalizou com a de Rabo de Peixe mas já houve tempos em que mais de 20 a 30 embarcações saíam ao mar e em condições muito mais precárias do que as actuais. "Isto é para acabar", diz Tomé Ferreira, pescador desde os 14 anos de idade, "os mais novos não querem pescar, preferem receber o rendimento mínimo e receber do Banco Alimentar".
Os que ainda pescam no pequeno porto de pesca, remodelado há uns anos, pertencem a famílias que se dedicaram à pesca de geração em geração. Manuel Canário, 51 anos, pesca sózinho, a pesca que o pai lhe ensinou. "O meu pai morreu no mar há 30 anos, morreu ele e outro. Eu passei tempos difíceis. O corpo nunca apareceu. Sempre que vi alguma coisa aparecendo na água eu pensava no meu pai".
As obras no porto não melhoraram o mais complicado, os baixios da barra. "É muito baixa", explica Serafim Manuel de Matos, 71 anos, 40 de mar e 10 de emigrante no Canadá. "Agora, com motores, é fácil mas dantes saíamos a remos, quantos barcos viraram aqui".
O mar, esse, é, rico em peixe, garoupa, abrótea, congro, chicharro, cavala, cherne. Tomé Luís Ferreira, 69 manos, que o diga. Um dia pescou um espadarte de de 110 quilos. "Em três meses apanhei três peixes daqueles e deixei fugir um A fotografia desse espadarte está na América. Já disse à minha filha, que está em Fall River, que eu quero essa fotografia".
Tomé viu a vida andar para trás duas vezes. "Vi a morte duas vezes. Uma vez o mar estava bom ali para a Ferraria mas em chegando aqui não conseguia entrar na baía. Eu nem me lembro como entrei com o barco, o barco encalhou na areia. E de outra vez, a minha mulher *à espera da lancha, ficou debaixo da lancha, o mar estava muito ruim".
Tomé diz que os mais novos não querem a pesca porque é muito precária. "E o governo pede o segundo ano, o terceiro ano, ninguém com o terceiro ano quer pescar. Esses do governo podem saber muita coisa mas como pescar a 300, 400 metros de fundura, eles não sabem senhor".
O que sempre valeu aos pescadores dos Mosteiros foi manterem também alguma terra: "Batata, milho...e eu com 70 anos ainda vou cortar relva a Ponta Delgada".

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