quarta-feira, 4 de abril de 2012

TOMÁS RAPOSO FERREIRA: "A AGRICULTURA ACABOU"

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Tomás Raposo Ferreira, 79 anos, ex-agricultor e tocador de violão e viola da terra- tocou com os melhores cantadores ao desafio de São Miguel- lembra quando na Lomba da Fazenda não havia televisão e a distracção era a guitarrinha no salão de bailinho. "O povo está ficando atrelado à televisão e vai pelo caminho".
Tomás viveu quase sempre nesta freguesia do Nordeste. Esteve no Canadá entre 1966 e 1971 mas não gostou: "O ambiente era como está ficando agora aqui. Eu sempre gostei de respeito". A Lomba da Fazenda vivia da plantação de trigo, milho, beterraba e das vacas. "Tínhamos sempre trabalho. Trabalhei nos Serviços Florestais uns anos. Naquele tempo, qualquer um levava um sachinho às costas, dava o seu nome e já ganhava o dia".
Pescadores no porto de pesca da Vila do Nordeste eram muito poucos. "Eles largavam o mar da mão e vinham para o campo. O mar era uma desgraça".
Em tempo de festas, os habitantes da Lomba da Fazenda íam a pé. "Houve gente que ía daqui a pé para o Senhor Santo Cristo em Ponta Delgada. É duro". Tomás ía com os amigos pela Serra da Tronqueira à Festa do Corpo de Deus na Povoação. "Dormíamos onde calhava. Uma vez, dormimos por cima da casa de um burro deitados na folha que era para o animal comer". Levavam roupa mais usada e dentro de um saco a roupa melhor, para usarem na festa".
Para os lados de Água Retorta, não havia estrada, só veredas. "Essa estrada foi toda rasgada à mão há uns 60 anos. Eu ía com o meu pai com as rezes por atalhos levar vacas para os pastos do Lombo Gordo".
Tomás fica feliz com o que tem sido feito no Nordeste: "Essa SCUT é uma maravilha, o senhor Carlos César foi um grande homem e fez a sua despedida com uma obra linda". Só lamenta o fim da agricultura: "A gente 'tá vivendo das vacas mas não dá para todos. Muitos rapazes largam a escola e não têm onde trabalhar".

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