VIAGEM A PÉ PELAS NOVE ILHAS DOS AÇORES REALIZADA EM 2012 PELO JORNALISTA NUNO FERREIRA (REVISTA EPICUR E REVISTA ONLINE CAFÉ PORTUGAL, autor do livro "PORTUGAL A PÉ", EDIÇÃO VERTIMAG) APOIO VERTIMAG, Pousadas de Juventude dos Açores e SATA Contacto: nunocountry@gmail.com
quarta-feira, 12 de setembro de 2012
NO PICO DA ESPERANÇA
DA BEIRA AO PICO DA ESPERANÇA EM DIA DE NEVOEIRO
Passei pelo campo de futebol da Beira e imaginei como será jogar ali num dia de céu limpo, com o Pico mesmo à frente. Aquele era dia de bruma e de chuva. À medida que subia em direcção aos sucessivos picos da ilha, a névoa invadia a estrada em revoadas, fustigada pelo vento. Os animais e as pastagens apareciam e desapareciam como fantasmas, engolidos no nevoeiro. Muito poucas viaturas passaram por mim durante aquela peregrinação pelo dorso alcantilado e em bossas da Ilha de São Jorge. Um tractor de vez em quando. Um casal a fechar uma cancela antes de correr para a carrinha de caixa aberta. Lá muito à frente, a placa que indicava o Pico da Esperança e o estradão em terra batida.
segunda-feira, 10 de setembro de 2012
BEIRA EM DIA DE PROCISSÃO
Cheguei a Beira pelas sete da tarde e fui surpreendido pelas ornamentações, pelas flores no asfalto, pelas mantas e colchas nas janelas e varandas. Convenci-me de que tinha acabado de perder uma procissão. Perguntei a uma senhora: "Ainda não começou e é muito linda. Deixe-se estar aí que vai ver tudo".
E foi assim que acabei a assistir a uma procissão com vista para o Pico. Saltaram-me à vista as bandeiras dos Estados Unidos e do Canadá e a presença de muitos emigrantes. Afinal era Agosto. Mas do que eu gostei mais foi da presença do Pico como pano de fundo, a melhor tela do mundo para um ritual daqueles. Ainda pulei para cima de um muro e tentei em vão captar o mosaico andante da procissão com o pico ao fundo mas desisti.
SETE FONTES-BEIRA
SETE FONTES
sexta-feira, 7 de setembro de 2012
ANTÓNIO ENES
quarta-feira, 5 de setembro de 2012
NA PONTA DOS ROSAIS
O FAROL FANTASMA DA PONTA DOS ROSAIS
Há sempre algo de estranho e fantasmagórico num lugar que já teve vida e jaz abandonado. Este, o da Ponta dos Rosais, já foi o nosso melhor farol, em 1958, com abastecimento de água e electricidade próprios. Os sismos perseguiram-no, primeiro em 1964, quando teve de ser evacuado pela primeira vez e mais tarde em 1980, quando teve de ser largado de vez pelas famílias que ali viviam. Hoje, o local é um hino à desolação. As paredes das antigas divisões estão pejadas de inscrições, grafittis, mensagens mais ou menos obscenas de quem procurou aquele lugar para uma aventura de Verão.
JÁ VEJO O FAROL
A CAMINHO DO FAROL DA PONTA DOS ROSAIS
Apesar de não levar GPS comigo consegui seguir até à Ponta dos Rosais por um caminho a partir da Ponta e regressar pelo trilho que vai dar ao parque das Sete Fontes. À medida que ía caminhando, as ilhas do Pico e do Faial iam como que se aproximando uma da outra, acompanhando-me sempre as passadas. A dado momento, imerso em pastagens pouco frequentadas, encontrei uma família a tratar das vacas. Dois rapazes jogavam à bola e perguntei-lhes o caminho para o Farol da Ponta dos Rosais. Foram os últimos seres humanos que eu vi até já muito perto do farol. Por essa altura, já a Graciosa surgia no horizonte.
DAS VELAS AOS ROSAIS
FINALMENTE AS VELAS
Esta foi a primeiríssima imagem que tive das Velas, ainda cá em cima. Mal eu sabia que ainda iria ter de contornar pavilhões industriais e dar uma volta sobre a povoação para lá chegar abaixo, às ruas estreitas com casas de outras eras, um barroco ali, um art-deco acolá. Até, claro está, esbarrar com o edifício em forma de vela do auditório e centro cultural e recuar até ao jardim da praça da República onde me sentei a descansar e a pasmar frente ao coreto.
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