VIAGEM A PÉ PELAS NOVE ILHAS DOS AÇORES REALIZADA EM 2012 PELO JORNALISTA NUNO FERREIRA (REVISTA EPICUR E REVISTA ONLINE CAFÉ PORTUGAL, autor do livro "PORTUGAL A PÉ", EDIÇÃO VERTIMAG) APOIO VERTIMAG, Pousadas de Juventude dos Açores e SATA Contacto: nunocountry@gmail.com
terça-feira, 24 de julho de 2012
OS ÚLTIMOS BALEEIROS DA TERCEIRA
FESTAS DA IRMANDADE DE ESPÍRITO SANTO DA RUA DE BAIXO, SÃO PEDRO, ANGRA DO HEROÍSMO
Na semana passada, acompanhei as festividades do Divino Espírito Santo na Irmandade da Rua de Baixo, em São Pedro, Angra do Heroísmo. "Na cidade o Espírito Santo começa mais tarde. Normalmente, onde começa mais cedo, em Maio, é nas zonas rurais do lado oeste da ilha, na Serreta, no Raminho", explicou-me um dos mordomos, Paulo Gores, 37 anos.
Este ano, ele e um pai organizaram a festa. "E aqui também existem diferenças. Não fazemos os bodos e o bodo de leite que organizamos é de noite por causa das pessoas terem os seus trabalhos durante o dia na cidade. A tradição era de manhã".
"Aqui a festa é muito diferente", explica Paulo, "no campo as pessoas têm as suas coisas, cada um oferece do que produz. Aqui fazemos dois peditórios, um em Março e outro uma semana antes da festa. No campo, organizam as "funções" (refeições com a sopa do Espírito Santo) para 300, 400 pessoas, aqui chamamos-lhe a "Ceia dos Criadores".
A COROAÇÃO
JANTAR DOS CRIADORES
Na cidade ou pelo menos na Irmandade da Rua de Baixo, a "Função" é apelidada de "Jantar dos Criadores". A carne foi abençoada dois dias antes. Durante todo o dia são confecionadas as Sopas de Espírito Santo, servidas à noite para um manacial de irmãos, alguns dos quais não se vêem há algum tempo. É uma ocasião de festa, de comunhão. As pessoas vão entrando com alguma sofreguidão mas não faltam lugares nem comida, generosa, abundante.
A Coroa onde são deixadas as ofertas
A Sopa de Espírito Santo
JOÃO LEONEL, "O RETORNADO",CANTADOR, POETA POPULAR: "ISTO É UM DOM"
sexta-feira, 20 de julho de 2012
PÉZINHO
A páginas tantas, um casal de turistas alemães quer saber o que se passa ali à frente de uma casa, com tantos cantadores, músicos e populares. Sou convidado para tradutor improvisado. Os dois turistas acabam a entrar na casa e a comer como toda a gente. "Beer? Sumo? Juice? Coma amigo, diga-lhes que esteja como se estivessem em casa deles".
PÉZINHO NA IRMANDADE DA RUA DE BAIXO, SÃO PEDRO, ANGRA
Quinta-feira, dia 12 de Julho, foi o dia do Pézinho dos Bezerros, que se inicia com o lançamento de um foguete. Cantadores e tocadores dirigem à porta das casas dos que mais contribuíram para a festa. Os cantadores improvisam quadras em que enaltecem o valor dos de casa, da sua solidariedade, da sua integridade. Por vezes, atingem-se momentos emocionais fortes, como à porta de uma mercearia. Um dos cantadores é precisamente o neto do dono. No fim de cada cantoria, todos, incluindo os circunstantes, são convidados a entrar para comer e beber.
A TENTAR CHEGAR AO PICO DA LAGOÍNHA PELO LESTE
No dia seguinte, retomei a caminhada na zona da Lagoa das Patas, segui até à Gruta de Natal, fechada aquela hora da manhã, aproveitei para fotografar o cenário idílico da Lagoa do Negro e redondezas e segui para norte, numa tentativa de contornar o Pico Rachado e chegar pelo leste ao Pico da Lagoinha, que continuo a conhecer apenas de fotografia.
Passei grande parte dessa tarde a perder-me em incontáveis caminhos florestais até, os músculos das pernas a pedirem rendição, decidir desistir e descer até ao Raminho, na costa norte.
De uma das vezes, subi até umas pastagens perto do Pico Rachado. "Anda perdido?", perguntou um lavrador acompanhado pelo filho, a tratar de umas vacas perto do cume.
"Aqui para cima já não vai a mais lado nenhum". Resultado: Trouxeram-me para baixo à boleia na caixa aberta da carrinha. Já cá em baixo, o lavrador explicou detalhadamente como devia fazer para chegar à Lagoínha: "Até um tanque de água para as vacas, depois à esquerda e depois de novo à esquerda..." Claro que me perdi ( continuo teimosamente a não usar GPS) e passei o resto da tarde a caminhar por diferentes cenários de floresta até ir ter a uma canada com o nome sugestivo de Canada de Trás do Pico, de onde já se via a torre da igreja do Raminho.
TOUROS OBSERVADORES
Os touros observam-nos ao longe, até ao dobrar da esquina. Na estrada, assisti a um grupo de pessoas que saíu de um carro, depois de apitar furiosamente e os começou a chamar para tirar fotografias. Mas a manada subiu a encosta e desapareceu. Com excepção da "Terra Brava", no centro da ilha, onde o trilho atravessa território taurino, os touros por lá andam em terrenos pertencentes a ganadarias e delimitados por muros. Esta foto foi tirada quando eu já descia para São Bartolomeu.
"ÉS AMIGO DO RUBEN?"
Da zona da Lagoa das Patas até São Bartolomeu e mais tarde São Mateus, ao fim do dia, pude ir apreciando as nuances da ilha. As pastagens e os touros, seguindo-me com olhares bruscos e guerreiros ao longe, mais tarde a floresta, os cedros, e mais tarde ainda os primeiros milheirais, as primeiras casas, os cães a ladrar esticando a corrente ao limite. As incontáveis canadas delimitadas pelos muros em pedra fazem da última parte do trajecto um labirinto. Crianças brincam junto aos muros brancos à luz do fim da tarde. Uma observa-me, calada e depois pergunta, uma, dua, três vezes: "És amigo do Ruben? És amigo do Ruben?"
quinta-feira, 19 de julho de 2012
FURNAS DE ENXOFRE
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