À esquerda, a praia de calhaus rolados. À direita, a fajã propriamente dita mais o seu punhado de casas de fim de semana (muito poucas), as suas bananas, araçás e vinhas protegidos pela falésia.
VIAGEM A PÉ PELAS NOVE ILHAS DOS AÇORES REALIZADA EM 2012 PELO JORNALISTA NUNO FERREIRA (REVISTA EPICUR E REVISTA ONLINE CAFÉ PORTUGAL, autor do livro "PORTUGAL A PÉ", EDIÇÃO VERTIMAG) APOIO VERTIMAG, Pousadas de Juventude dos Açores e SATA Contacto: nunocountry@gmail.com
segunda-feira, 25 de fevereiro de 2013
LÁ ESTÁ ELA, A FAJÃ DE LOPO VAZ
E lá está a Fajã de Lopo Vaz, avistada do trilho
À esquerda, a praia de calhaus rolados. À direita, a fajã propriamente dita mais o seu punhado de casas de fim de semana (muito poucas), as suas bananas, araçás e vinhas protegidos pela falésia.
À esquerda, a praia de calhaus rolados. À direita, a fajã propriamente dita mais o seu punhado de casas de fim de semana (muito poucas), as suas bananas, araçás e vinhas protegidos pela falésia.
OS FRADES
NA COSTA SUL ENTRE A COSTA DO LAJEDO E A PONTA DA ROCHA ALTA
Não encontrei ligação entre a Costa do Lajedo e a Fajã de Lopo Vaz, a oeste embora o conhecedor e intrépido Pierluigi Bragaglia escreva no seu livro "Ilha das Flores-Roteiro Histórico e Pedestre" que isso é possível fazê-lo...com equipamento. Regressei à estrada em direcção à Ponta da Rocha Alta onde em Maio de 1980 um desabamento de terras provocou um alteração da costa naquela zona.
EM CASA DE JOSÉ SERPA
A Costa do Lajedo, na costa sul da Ilha das Flores, é um daqueles lugares que facilmente confundimos com o paraíso. As arribas recortam entre fios ou mantas de nevoeiro um vale muito verde e idílico em frente ao mar ora manso ora turbulento dos Açores.
Foi na Costa do Lajedo que nasceu e viveu até aos 18 anos o tocador e construtor de violas da terra José Agostinho Serpa. Depois de 27 anos na Ilha Terceira, decidiu regressar, para viver da natureza, do que consome (é vegetariano) e da música.
“O meu avô era dono da mercearia Serpa, ali mais a cima. Foi lá que nasci. Ele tocava violino. O meu pai tocava bandolim. Ele próprio construiu o instrumento”. Cedo, José Serpa começou a escutar a música tradicional que se fazia na Costa do Lajedo. “Todos os fins de semana havia bailes nas casas dos senhores mais prestáveis, bailes à luz da vela ou de candeeiro alimentado a azeite de baleia”.
Os bailes desapareceram no tempo mas a paixão de José Serpa pela música permaneceu. “Pedi uma viola eléctrica emprestada e fiz uma na oficina do meu avô”. Começou a aprender sozinho porque mais ninguém tocava nessa altura na Costa do Lajedo. “Não havia estrada. Ía a pé pela montanha acima e depois procurava apanhar a carreira para Santa Cruz. Na escola, era pior. O nosso transporte para lá era na camioneta de carga que transportava as vacas para o porto. Eramos trinta e tal desta parte da ilha que íamos assim, estudar para Santa Cruz. Eu enjoava com a fumaceira debaixo da lona”.
Saíu da Ilha das Flores para frequentar a Escola Militar em Lisboa. “Foi um choque enorme. Imagine o que é sair daqui para Lisboa…Tive a felicidade de ter como superior na escola Manuel Faria, dos “Trovante”. O Manuel Faria ensinou-me muito na guitarra clássica. O Luís Represas passava por lá ao fim de semana e tocávamos juntos”.
Como José Serpa não tinha instrumento, Manuel Faria combinou com outros amigos comprarem-lhe uma viola. “Eu tinha trazido a harmónica das ilhas e para o final tocávamos nos salões privados do Casino do Estoril”.
Mais tarde, chegou a viver em São Miguel. “Fazia placards publicitários. Até que um dia o avião que seguia das Flores para São Miguel avariou e tive de ficar na Terceira. Em Angra do Heroísmo encontrei um primo afastado que me convidou a ficar lá a trabalhar como técnico de electrónica e electrodomésticos. Fiquei 27 anos…”
Na Terceira, além de reparar aparelhos, foi técnico de som. “Foi como técnico de som que conheci muitos músicos do continente, desde o Paulo de Carvalho aos Heróis do Mar”. Foi lá também que conheceu a família Lobão, uma família de construtores de violas. “Acabei por decidir construir o meu primeiro instrumento, um violão de 12 cordas. Depois, construí várias violas”.
A partir de determinada altura, José Serpa decidiu inovar: “Para o Dia dos Namorados, decidi construir um instrumento com a forma de dois corações e com um som semelhante à mistura do cavaquinho e do bandolim”. Mais tarde, fez uma viola com formato de peixe e outra em forma de S, o S de Serpa. Das suas criações, expostas na internet na sua página pessoal (http://joseserpa.no.sapo.pt/) a preferida é a “violira”, um misto de viola e lira.
José Agostinho Serpa, que já compôs e editou em cd cerca de 50 composições, mudou-se de armas e bagagens há cerca de dois anos para o lugar onde nasceu. Continua a trabalhar em reparações de electrodomésticos mas dedica cada vez mais tempo à construção de violas da terra. No Verão, a altura do ano em que a Ilha das Flores é mais visitada, Serpa toca num trio “Os Amigos da Música” animando grupos turísticos no Inatel de Santa Cruz e na aldeia turística da Cuada, perto da Fajã Grande e do paradisíaco Poço da Lagoinha.
“A viola da terra já esteve praticamente votada ao abandono na Ilha das Flores. Hoje existem aí dois ou três tocadores”, explica Serpa, que ainda escreve para o jornal local “O Monchique”.
Desde há cerca de dois anos que vive na casa que construiu juntamente com a esposa Luísa, artesã, num recanto mágico da Costa do Lajedo. “Regressei à Ilha das Flores para a meditação, para a paz. Este lugar tem muito mais energia. Produzimos aqui 90 por cento da nossa alimentação, vegetariana e fruto da agricultura biológica”.
sexta-feira, 22 de fevereiro de 2013
NA COSTA DO LAJEDO
A Costa do lajedo a um fim de semana. Um grupo de populares junta-se em redor de uma matança do porco e é tudo. O local das águas quentes, junto ao mar, do lado direito, sofreu uma "quebrada" ou derrocada, mais uma. Cansado de derrocadas, regresso do local indicado pela placa e pasmo com a atmosfera deslumbrante das arribas.
DERROCADA ENTRE O LAJEDO E A COSTA DO LAJEDO
ENTRE O LAJEDO E A COSTA DO LAJEDO
NO TRILHO PERTO DO LAJEDO
Regresso a Mosteiro para seguir pela costa sul até Lajedo e mais tarde Costa do Lajedo. Um universo bucólico que me levará perto da zona onde encalhou o paquete Slavonia em 1909 com quase 600 pessoas a bordo. Rezam as crónicas que o comandante cedeu aos pedidos dos passageiros vindos de Nova Iorque e a caminho de Trieste para ver a ilha de perto. Muitos salvados do navio acabaram ou no Museu de Santa Cruz ou nas mãos de particulares. Hoje, os destroços do navio jazem no fundo do mar, perto da costa e são um privilegiado lugar de mergulho
domingo, 10 de fevereiro de 2013
A DESCER DA LAGOA BRANCA PARA A FAJÃ GRANDE
Apesar da água e lama e pedregulhos escorregadios, aquele foi o dia ideal para descer do planalto até lá abaixo à Fajã Grande. Lá em cima, da Rocha da Fajã, antes de começar a descer por um caminho em escadaria que vai ter muito perto do Poço do Bacalhau, tem-se uma vista deslumbrante dos terrenos da Fajã, outrora mais cultivados do que hoje em dia. Os animais, esses, estão em todo o lado, seja no fim de uma descida onde preciso de me ir agarrando às pedras e aos cedros do mato, seja em pastagens mais vastas. O planalto e a serra são deles.
ENTRE A LAGOA SECA E A LAGOA BRANCA
NO INTERIOR DA ILHA
LAGOAS NEGRA E COMPRIDA
LAGOA FUNDA
NA LAGOA RASA
DO MOSTEIRO ÀS LAGOAS
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