quarta-feira, 16 de janeiro de 2013

DESFILE DE BANDAS FILARMÓNICAS NA HORTA

Festas de Santa Cecília. Numa manhã cinzenta de um domingo de Novembro, a pacatez das ruas da cidade da Horta dão lugar ao desfile das bandas filarmónicas do Faial todas em romagem à Matriz. faial 85 faial 84 Faial 80 faial 81 faial 82

AS CASAS DA HORTA

Saí da Horta pelo bairro popular de Porto Pim e regressei por outra zona antiga, a Conceição. O miolo da cidade é povoado, no entanto, por estilos arquitectonicos que marcam diferentes fases da sua história e da sua burguesia: Solares do século XVIII, casas construídas no início do século XX pelas empresas de cabos submarinos, edifícios de influência americana com as torrinhas em madeira, exemplares de arquitectura do Estado Novo e o arte déco que marcou a Horta pós-terramoto de 1926. faial 63 faial 66 faial 65 faial 64 faial 60 faial 61

segunda-feira, 14 de janeiro de 2013

FIM DA TARDE NA HORTA

horta cavalo De repente, cumprida uma curva, só ali estou eu e o cavalo. Os automobilistas espreitam por detrás das vidraças dos respectivos automóveis. Uma luz ténue rompe de vez em quando por entre as nuvens que encobrem a Horta sorumbática de Novembro. Por instantes, as águas de estanho iluminam-se até ao Monte da Guia. Apetece ficar ali, entre o vento que espicaça o canavial, as ervas da Espalamaca, a visão livre do canal, as costas para o asfalto. Um barco risca as águas paradas e cinzentas com um círculo que se desfaz em pequena ondulação daí a pouco.

NA ESPALAMACA

Finalmente a Espalamaca, assediada pelo vento, encoberta e entristecida pelas nuvens de Outono. Lá à frente a Ilha do Pico sob um tecto de nuvens cinza. No miradouro da Nossa Senhora da Conceição, debaixo dos quase 30 metros de cimento da cruz e da imagem em mármore, a Horta lá em baixo. Cá em cima pastam cavalos e vacas, numa atmosfera campestre que bordeja a periferia da cidade dos iates e dos cabos teleféricos, dos hidroaviões e agora, do Parlamento Regional. faial 56 faial 57 faial 58 faial 59

ALMOXARIFE

faial 52 faial 53 Na estrada principal, já se sente a proximidade em relação à Horta. Como gosto pouco de trânsito, volto a descer por uma estrada secundária, desta vez em direccção ao mar e à Praia de Almoxarife, entalada entre duas lombas. Ao fim da descida da primeira lomba, uma marca, mais uma, da emigração: A Rua New Bedford. Mais à frente, numa praia que em Novembro está praticamente vazia, descubro uma velha posição militar dos tempos da IIª Guerra Mundial, quando aliados e nazis jogavam ao gato e ao rato em águas dos Açores faial 52a faial 54 faial 55 As ondas vagueiam de cá para lá lambendo o areal de cinza sem pressas. À frente, o Pico esconde-se mais uma vez debaixo de um toalhão de nuvens. O background de Almoxarife, o vale, é pastoril, bucólico. Chuviscos marcam a minha retirada pelo lado oposto, à conquista da Lomba da Espalamaca e de poder avistar finalmente a cidade da Horta do outro lado.

domingo, 13 de janeiro de 2013

EM PEDRO MIGUEL

Toda a zona foi bastante atingida pelo sismo de 9 de Julho de 1998. Além das casas, muito património religioso foi afectado. É o caso da Igreja da Nossa Senhora da Ajuda, em Pedro Miguel. faial 49 faial 50

DA RIBEIRINHA A PEDRO MIGUEL

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RIBEIRINHA

Larguei a estrada principal pouco depois de passar Espalhafatos, atraído pela imagem ao longe da torre de uma Igreja em ruínas num vale onde a maioria das casas pareciam recentes. A Igreja em ruínas é a de São Mateus, na Ribeirinha, curiosamente uma igreja que fora edificada na sequência de um terramoto, o de 1926 e que acabou em Julho de 1998 por ser vítima de outro cujo epicentro foi localizado a cinco quilómetros da Ponta da Ribeirinha. Desde 98 que está assim, apesar de muitos edifícios da zona já terem sido recuperados e outros terem sido construídos de novo. Também em ruínas ali perto, o Farol da Riberinha. imagem ribeirnha 46a faial 44a faial 45a

À ESPERA DO AUTOCARRO

Ao longo da estrada, entre Cedros e a Ribeirinha, vou encontrando paragens de autocarro com decoração digamos que...etnográfica e que servem de intermezzo às habituais mensagens amorosas dos adolescentes faial 45 faial 46 faial 48

ENTRE CEDROS, SALÃO E ESPALHAFATOS

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ATÉ CEDROS

faial 42 Existiam e existem quase 40 moinhos de vento inventariados no Faial. Na Espalamaca, junto à cidade da Horta, haveria de encontrar um recuperado, pintadinho a vermelho. Este apareceu-me à entrada de Cedros. faial 41 Igreja da Nossa Senhora de Fátima, na Ribeira Funda

NA COSTA NORTE DO FAIAL

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PRAIA DO NORTE, TERRA VULCÂNICA

faial 35 faial 37 Esta foi uma das freguesias bastante afectadas pela erupção dos Capelinhos. A Igreja, por exemplo, foi construída no início dos anos 60 do século passado uma vez que a capela ficou destruída durante a crise vulcânica. Paro num chafariz onde se lê que a 12 de Maio de 1958, enquanto o vulcão dos Capelinhos se mantinha em actividade, ao anoitecer a terra começou a tremer com mais intensidade, levando o povo da Praia do Norte a abandonar as suas casas e a reunir-se ali. "Reuniram-se junto deste chafariz e foi-lhes dada a absolvição geral pelo padre Henrique Pinheiro Escobar". A população foi acolhida pelo povo das freguesias de Cedros, Salão e Ribeirinha. Nessa noite a freguesia ficaria completamente destruída. chafariz A zona já fora desvastada em 1672 por uma erupção no Cabeço do Fogo que sorretara de lava parte das freguesias do Capelo e Praia do Norte e provocara a emigração de gente da zona para o Brasil. As regiões brasileiras de acolhimento foram sobretudo o Pará e o Maranhão, a norte e Santa Catarina, a sul.

ATÉ PRAIA DO NORTE

faial 36 Uma tira de novo asfalto entre o arvoredo e em breve estarei na Praia do Norte

segunda-feira, 7 de janeiro de 2013

NO CAFÉ FIM DO MUNDO

Faial 30 Faial 31 Os homens estão a trabalhar a estrada que atravessa a pequena localidade de Norte Pequeno, vizinha do Vulcão dos Capelinhos, na Ilha do Faial. Nesta época do ano, com a única e pequena estrada que une Norte Pequeno ao mundo ou revolta em terra ou a receber um tapete de novíssimo alcatrão, Domingos não espera que ninguém lhe bata à porta. Eu próprio hesitei, convencido de que o Bar Fim do Mundo, ali perdido numa das áreas menos batidas da ilha, estava fechado. Tive o impulso de abrir a porta porque sempre gostei de fins do mundo e aquele pareceu-me o nome ideal para um bar num lugar daqueles. De um lado, o lado direito, uma pequena mercearia de aldeia ou freguesia, como se diz nos Açores. Do outro um pequeno mas acolhedor recanto recheado de mapas do mundo inteiro e decorado com bandeiras de Portugal, dos Estados Unidos e não só no tecto. Fiz ali no Bar Fim do Mundo e com Domingos André, 60 anos, quase a mesma coisa que faço em todo o lado. Pousei a mochila, pedi uma água e naquele caso em concreto, elogiei o espaço. Descobri que Domingos, um homem que nasceu ali mas adora viajar, gosta tanto de conversar quanto eu. Começámos por falar da erupção. “Eu tinha 7 anos e acabei por ir para a América com os meus pais. Vivi na área de Boston entre 1959 e 1989. Lembro-me de algumas coisas da erupção. Tenho flashbacks do que se passou. Esta zona aqui foi mais atingida pelas cinzas enquanto a Praia do Norte sofreu mais com os sismos”. Em 1988 Domingos decidiu regressar, comprar a velha mercearia local e fixar-se no lugar onde nasceu. “Chamei-lhe Fim do Mundo porque está longe de tudo, fora dos roteiros e como leio a “National Geographic” há muitos anos e viajava muito, fui colocando aqui mapas”. Mapas que nos fazem saír do Norte Pequeno e lembrar a América. “A Flórida era um dos Estados que eu gostava mais de visitar, ía muito lá”. A conversa escapa depois da Flórida para um sem número de lugares distantes que ambos gostaríamos conhecer, passa pela música popular americana- “os meus favoritos sempre foram os Bee Gees, gosto muito de Everly Brothers, Righteous Brothers” e acaba na realidade actual do Norte Pequeno. “Nesta altura do ano e para mais com a estrada a ser arranjada não passa aqui ninguém”, explica Domingos, que ao vender uns artigos de mercearia e servir uns cafés ou umas bebidas está praticamente a prestar um serviço social à pequena comunidade. De repente, pega numa folha e pede-me para o ajudar a explicar o que ali está (muita da nossa conversa foi mantida em inglês). O papel explica que até 1 de Janeiro de 2013 Domingos vai ter de substituir a actual caixa registadora por duas novas. “É absurdo. Querem uma para a mercearia e outra para este pequeno balcão do bar. Dizem que custam dois mil euros. Não tenho clientes que justifiquem. “That’s it” (é isso), a partir de 1 de Janeiro fecho as portas. Não se justifica manter as portas abertas e fazer este investimento para servir meia dúzia de cafés”. Domingos mostra-me a actual caixa registadora. “Cada vez que vem um cliente, leva um talão mas a partir de agora não chega”. A esposa entra por momentos no bar onde a conversa já vai longa e onde um amigo também leu atentamente o papel. “Já sabes alguma coisa das registadoras?” Vai-se informar, diz a esposa. Uns quilómetros e umas quantas de bátegas de chuva mais à frente, discuto de novo o assunto com a dona de outro café: “É assim, é um convite a que muitos pequenos negócios fechem as portas”. Resta a Domingos, suponho, facturar menos de 100 mil euros por ano e conseguir prová-lo. faial 29 faial 34 faial 28

CENTRO INTERPRETATIVO

Enterrado no subsolo do vulcão dos Capelinhos, o Centro Interpretativo do Vulcão dos Capelinhos é um luxo de galerias e exposições sobre o fenómeno dos vulcões em geral e o dali em particular. Enquanto via um filme sobre vulcanismo em três dimensões dentro de um auditório climatizado escapava à fúria dos ventos à superfície. faial 24 faial 23 a

CAPELINHOS

OS Capelinhos num dia muito ventoso. Rajadas fortes de vento, chuva entretanto e mais tarde, lá em cima, uma nesga de sol que abre um panorama diferente sobre a enseada lá em baixo. faial 26 faial 27 faial 25