VIAGEM A PÉ PELAS NOVE ILHAS DOS AÇORES REALIZADA EM 2012 PELO JORNALISTA NUNO FERREIRA (REVISTA EPICUR E REVISTA ONLINE CAFÉ PORTUGAL, autor do livro "PORTUGAL A PÉ", EDIÇÃO VERTIMAG) APOIO VERTIMAG, Pousadas de Juventude dos Açores e SATA Contacto: nunocountry@gmail.com
Deixei a Graciosa num dia de sol. Deixar a Graciosa é também deixar uma das mais harmoniosas e belas praças que já vi, a de Santa Cruz, com as suas araucárias enormes ao vento e os seus grandes pauís brancos e vermelhos. Um agradecimento especial ao António Reis e ao Dr Jorge Cunha, director do Museu da Graciosa pelos contactos e pela ajuda.
Juventino Ávila e o seu violão
Na Graciosa, reza o livro "Cantigas da Minha Terra" de José Gabriel da Cunha Martins, existe um grande reportório tradicional de modas velhas e modas novas, modas essas que começaram por ser dançadas no dia da matança do porco em casas particulares (tal e qual como em São Jorge), nas eiras ou no arraial de uma festa religiosa.
No prefácio ao livro, Fábio Mendes conta que na primeira metade do século XX, enquanto nas colectividades se dançava o bolero, o tango, a polca, a valsa, a quadrilhas ao som do piano, do clarinete, saxofone e contrabaixo, era nas casas particulares que se mantinham as modas tradicionais.
Uma ocasião especial-ainda o é- era o Carnaval, com bailes animados pelo reportório tradicional da ilha. "As damas", conta, "ficavam resguardadas num quarto e os cavalheiros noutro. Os cavalheiros só saíam do quarto que lhes fora atribuído para bailar"
Um pormenor curioso a que alude o mesmo autor é (era) a existência na época das "moças do rebuçado": "No decorrer de uma moda, o cavalheiro pagava à dama um rebuçado caseiro e matava a sede com uma aguardente. A venda de rebuçados e aguardente ajudava a pagar despesas como o petróleo dos candeeiros".
Nas modas velhas, que terão sido trazidas pelos primeiros povoadores da Graciosa, há uma exclusiva da ilha, o "José".